Revolução Cultural
Revolução Cultural na China mexeu com a estrutura política do país


Mao Tsé-tung lançou a Revolução Cultural em 18 de abril de 1966


     Em 1958, Mao Tsé-tung lançou um ambicioso projeto denominado "grande salto para a frente". A intenção era formar um parque industrial amplo e diversificado. Para que se tenha uma idéia do significado do novo plano é interessante realizar uma comparação. O relatório do PC chinês em 1956 afirmava: "Devemos em três qüinqüênios ter constituído, em seus aspectos essenciais, um sistema industrial completo". Menos de dois anos após, afirmava: "Recuperaremos em três anos de duro trabalho todo o atraso da China". No ano de 1961 os projetos de industrialização rápida entraram em colapso e, devido a atritos com a União Soviética, foram retirados do país os técnicos soviéticos.

     Em 1966 começa um período de grande instabilidade política conhecido como Revolução Cultural. Mao Tsé-tung, frente a progressiva perda de controle sobre o Partido Comunista, estimula principlamente os jovens e o exército contra seus adversários internos. A Revolução Cultural foi ao mesmo tempo um extraordinário esforço de transformação ideológica e uma violenta e gigantesca depuração partidária, mexendo com toda a estrutura política do país durante 10 anos.

     Nesse decênio (1966-1976) Chiang Ching, a mulher de Mao, e mais uns três fanáticos, o Bando dos Quatro, quase arruinaram a nação. Época vergonhosa em que matilhas de imberbes, fanatizados pelas leituras do Livro Vermelho do Camarada Mao, - citações selecionadas pelo extremista Lin Piao -, tomaram de assalto as ruas, ocupando escolas, fábricas e repartições por todo o país, dando caça a quem consideravam contra-revolucionários. Quase toda a milenar cultura chinesa esteve ameaçada por hordas dos ultra-radicais insuflados pela Madame Mao, que não se detinham nem frente aos veneráveis tratados de Confúcio, de Mencio, ou de Lao Tse.

     A lava humana formada por milhares de jovens enlouquecidos, marchando ao som de cornetas e tambores, embalados por cantorias revolucionárias, queimava tudo à sua passagem. Personagens consagrados do mundo das letras, da educação, das ciências e artes, denunciados como Yu Pai, direitistas conciliadores, foram submetidos a rituais públicos humilhantes, indignos, bestiais.

     Arrastados pelas ruas - vestidos com patéticos sambenitos (vestimenta similar a uma túnica), com cartazes infamantes pendurados no peito -, parecendo os sacrificados dos tempos da Santa Inquisição, as vítimas dos Guardas Vermelhos foram socadas e chutadas pelas turbas vociferantes, furiosas. Milhares foram linchados, em Xangai afogaram-nos em massa. Nem mesmo alguns membros alta hierarquia do partido comunista, os Zou Zi Pai, os dúbios, foram poupados. Como deu-se com Li Chao-Chi e Deng Xiaoping, que além de exonerado e desterrado, teve um filho seu aleijado quando a malta invadiu-lhe o apartamento. Qualquer coisa que parecia diferente, melhor, com mais qualidade, aos olhos daqueles igualitários loucos, atraia-lhes um ódio cego.

     Com a morte de Chu En-lai (ministro das Relações Exteriores) e de Mao Tse-tung, em 1976, inicia um processo de "desmaoização", em que as idéias e os adeptos da Revolução Cultural foram sendo afastados. Deflagrou-se um grande expurgo nos quadros partidários e do governo. A nova liderança do Partido Comunista pôs em prática um novo plano de reorganização política e econômica da China e aprovou uma nova constituição, um novo plano decenal e um novo hino nacional.

Fonte: Educaterra.terra.com.br