Guerra do Paraguai


População paraguaia caiu de 1,3 milhão
para 200 mil com a guerra
Guerra do Paraguai dizimou
a grande maioria da população do país


     Desde a primeira metade do século XIX, o Paraguai investe no desenvolvimento econômico auto-suficiente. Sem as marcas da escravidão, sua população tem um alto índice de alfabetização. A autonomia do país desafia o imperialismo britânico na América. Em 1862, Francisco Solano López, sucessor de Carlos Antonio López no governo, investe na organização militar.

     Tendo em vista a necessidade de exportar excedentes de produção, era imprescindível a ruptura da política paraguaia de isolamento em relação aos demais países, assim como a necessidade da utilização do Rio da Prata como meio de escoamento dos produtos excedentes. Possuindo um forte exército e passando a figurar entre os países mais desenvolvidos da América do Sul, o Paraguai passa a reivindicar voz de comando nos assuntos políticos locais. Estas reivindicações se fizeram presentes através do oferecimento de Francisco Solano López como mediador das questões entre o Brasil e o Uruguai.

     As relações entre estes países encontravam-se entre a cordialidade e a agressão: o Paraguai passava a questionar os limites territoriais entre os dois países, vendo-se prejudicado na grande perda de terras e ainda dependente da tolerância dos países que dominavam os transportes fluvio-marítimos no Rio da Prata. Assim, a intermediação de Solano López é recusada pela diplomacia brasileira. Não aceitando as condições impostas pelo Império no Brasil, o Uruguai, por sua vez, é invadido e tem seu governante blanco Atanásio Aguirre deposto.

     Apoiando oficialmente Aguirre, Solano López passa da postura diplomática à agressão, ordenando a captura de uma embarcação brasileira que trafegava no Rio Paraguai, o navio "Marquês de Olinda", em 11 de novembro de 1864, que ia a caminho do Mato Grosso. Posteriormente, Solano López declara guerra ao Brasil, invadindo os territórios do Mato Grosso e do Rio Grande do Sul. Em março de 1865, tropas paraguaias invadem a Argentina. O objetivo paraguaio é obter uma porto marítimo, conquistando uma fatia dos territórios brasileiro e argentino.

     Os governos da Argentina, do Brasil e seus aliados uruguaios assinam o Tratado da Tríplice Aliança, em 1º de maio de 1865, contra o Paraguai. Empréstimos ingleses financiam as forças aliadas. O Exército paraguaio, superior em contingente – cerca de 64 mil homens em 1864 – e em organização, defende o território de seu país por quase um ano.

     A primeira grande virada da Aliança sobre o Paraguai ocorreu com a famosa Batalha do Riachuelo, em 1865, quando a esquadra paraguaia foi completamente dizimada pelas forças navais brasileiras sob os comandos do Almirante Tamandaré e de Francisco Manuel Barroso da Silva, estas aliadas às forças argentinas sob o comando do general Paunero.

     As forças paraguaias, tendo em vista suas intenções agora frustradas, passam da tática ofensiva à defensiva, procurando resistir nos fortes localizados em regiões estratégicas do território paraguaio. Porém, seus exércitos já haviam passado por uma série de desfalques, dando ainda maior ânimo à Tríplice Aliança. Finalmente, em 16 de abril de 1866, os aliados invadem o Paraguai ao vencer a batalha de Tuiuti, sob o comando do argentino Bartolomeu Mitre.

     Em 1868, o comando dos aliados passa para o barão de Caxias. Ele toma a fortaleza de Humaitá, em 5 de agosto de 1868, e invade Assunção em 5 de janeiro. Passa o comando das tropas brasileiras ao conde d'Eu, marido da princesa Isabel. Solano López resiste no interior. A batalha final acontece em Cerro Corá, em 1º de março de 1870. O país é ocupado por um comando aliado e sua economia é destruída. A população paraguaia, que antes do conflito chegava a 1,3 milhão de pessoas, fica reduzida a pouco mais de 200 mil pessoas.

     Para o Brasil, a guerra significa o início da ruptura com o sistema monárquico-escravista. Diante da dificuldade de recrutar soldados, escravos são alforriados para substituí-los, fato que incentiva a campanha abolicionista. A conseqüência mais importante, porém, é o fortalecimento do Exército. Atraídos pela causa republicana, em poucos anos os militares passam a liderá-la. No plano financeiro, o saldo final é uma duplicata de 10 milhões de libras que o Brasil deixa pendente com o Banco Rothchild, de Londres.

Fontes: Conhecimentosgerais.com.br
           Enciclopedia.com.br