Napoleão
Queda definitiva de Napoleão aconteceu com a Batalha de Waterloo


Napoleão Bonaparte era
bem visto pelo povo

     Entre 1799 e 1815, a política européia está centrada na figura carismática de Napoleão Bonaparte, que de general vitorioso se torna imperador da França, com o mesmo poder absoluto da realeza que a Revolução Francesa derrubara.

     Napoleão Bonaparte, jovem general corso, começa a se destacar como militar em 1795, quando sufoca uma revolução monarquista em Paris. Depois de ter se destacado na guerra contra a Itália e na Campanha do Egito, Napoleão é escolhido para chefiar o golpe que depõe o Diretório, em 18 brumário.

     Em 10 de novembro de 1799 (dia 18 brumário, segundo o calendário republicano) Napoleão Bonaparte, com o auxílio de militares e membros do governo, derruba o Diretório, dissolve a Assembléia e implanta o Consulado, uma ditadura disfarçada. O golpe de 18 brumário retoma princípios do Antigo Regime e encerra dez anos de lutas revolucionárias que influenciariam profundamente os movimentos de independência na América Latina e a organização dos países da Europa. Em 1804 Napoleão cria o Império, espécie de monarquia vitalícia que se sustenta pelo êxito das guerras e reformas internas.

     O Consulado é o período de 1799 a 1804, no qual Napoleão promulga uma nova Constituição, reestrutura o aparelho burocrático e cria o ensino controlado pelo Estado. Em 1801 declara o Estado leigo, com a subordinação do clero às autoridades seculares. Em 1804 promulga o Código Napoleônico, que garante a liberdade individual, a igualdade perante a lei, o direito à propriedade privada, o divórcio e incorpora o primeiro código comercial. Em 1805 a França volta a adotar o calendário gregoriano. Napoleão realiza um governo ditatorial, com censura à imprensa e repressão policial, com o apoio do Exército.

     Após um plebiscito, Napoleão coroa-se imperador, em 1804, com o nome de Napoleão I. Intervém em toda a Europa, derrotando as tropas austríacas, prussianas e russas, e passa a controlar a Áustria, Holanda, Suíça, Itália e Bélgica. Avança na Espanha mas enfrenta resistência de guerrilheiros locais. Temendo a expansão napoleônica, a família real portuguesa foge em 1808 para o Brasil, sua colônia na América. Em 1812 o Império Napoleônico incorpora 50 milhões dos 175 milhões de habitantes do continente europeu e introduz as reformas burguesas nos demais países da Europa, quebrando as estruturas feudais remanescentes. Impõe o sistema métrico decimal, implanta o direito moderno e difunde amplamente as idéias de liberdade e igualdade da Revolução Francesa.

     Em 1806, Napoleão decreta o Bloqueio Continental contra a Inglaterra, após a derrota dos exércitos franceses em Trafalgar, na Espanha. A França proíbe que qualquer país europeu abra seus portos ao comércio com a Inglaterra. O objetivo é enfraquecer os ingleses e reservar o mercado continental europeu às manufaturas francesas. O bloqueio recebe a adesão da Espanha e da Rússia em 1807. Portugal, aliado da Inglaterra, recusa-se a aderir e é invadido pelas tropas francesas.

     Em 1812, a pretexto de punir o abandono do Bloqueio Continental pela Rússia, Napoleão declara guerra a Moscou, mas a campanha, em pleno inverno, é um desastre. Diante da iminência da invasão o governador russo ordena que as pessoas abandonem Moscou e incendeia a cidade. O Exército napoleônico encontra apenas destroços. Dos 600 mil homens, sobram cerca de 37 mil para fazer a retirada.

     A derrota de Napoleão na Rússia incentiva a formação de uma coalizão reunindo russos, ingleses, espanhóis, prussianos, suecos e austríacos contra a França. Em 1813, os exércitos aliados conseguem derrubar o sistema napoleônico e libertar a Alemanha, a Holanda e o norte da Itália. Em 1814 tomam Paris e formam um governo provisório, dirigido por Talleyrand, que depõe Napoleão. Ele abdica do posto do imperador e exila-se na ilha de Elba, que obtém como principado. Os Bourbon retornam ao poder e entronizam Luís XVIII, irmão de Luís XVI (guilhotinado durante a Revolução Francesa).

     Napoleão, do fundo de seu retiro, não deixava de se informar do que sucedia no continente. Conhecendo as deficiências do governo, sabe que o exército quer vê-lo novamente no comando. Foi em tais circunstâncias que Napoleão fugiu da Ilha de Elba e desembarcou na costa Meridional da França, a 1º de março de 1815. Foi recebido em toda a parte com alegria delirante pelos camponeses e pelos ex-soldados.

     A partir de 20 de março de 1815, Napoleão reinará por mais cem dias. A retomada do poder, entretanto, não fez ressurgir o antigo despotismo imperial. O regime se reorganizará através de um “Ato Adicional” à Constituição, tornando-se um império liberal.

     Os soberanos coligados, então reunidos no Congresso de Viena, surpreendidos com o acontecimento, renovam a aliança, declaram Napoleão fora da lei e decidem levantar novo exército destinado a destruir de vez Napoleão Bonaparte. Entendendo ser melhor tomar a ofensiva, a fim de frustrar os planos de seus inimigos, Napoleão marcha sobre a Bélgica e vence os prussianos, comandados por Blucher, em Ligny. Dias depois, em 18 de junho, em Waterloo, foi fragorosamente derrotado pelo Duque de Wellington e pelo general Blucher, à frente de um exército coligado. No dia 21 de junho, Napoleão abdicou pela segunda vez, sendo deportado em exílio definitivo para a ilha de Santa Helena, onde morre em 5 de maio de 1821. A dinastia dos Bourbons voltou a reinar na França. Era o fim do império.

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Fontes: Conhecimentosgerais.com.br
            10emtudo.com.br