Dia do Orgulho LGBT Dia do Orgulho LGBT

28 de Junho de 2018

O Orgulho LGBT
Até a década 1960, nos Estados Unidos as leis anti-LGBT eram extremamente cruéis, assim como no resto do mundo. A dita cura-gay contava com desde a prisão perpétua, castração, choque elétrico, até a lobotomia – cirurgias que retiravam parte do cérebro do paciente. Naquela época havia poucos lugares que aceitavam a comunidade LGBT. Um destes lugares era o Stonewall Inn, bar frequentado por transgêneros, homens gays afeminados, mulheres lésbicas masculinizadas e drag queens, que iniciou a história do orgulho LGBT. Alinhados ao movimento de contracultura, os frequentadores do Stonewall passaram a responder aos ataques policiais violentos e repressivos, que aconteciam quase que diariamente naquele lugar. Aderindo à luta pelos direitos humanos e ficando conhecidos como Resistentência de Stonewall, o povo marginalizado que o frequentava iniciou a história do Orgulho LGBT mundial.
No ano de 1970, seguinte às Revoltas de Stonewall, foram realizadas paradas LGBT em todos os Estados Unidos, nas cidades de Los Angeles, Chicago e Nova York, para que a data fosse relembrada, comemorada e a luta continuasse viva. A data exata do aniversário celebrado é 28 de junho, o atual Dia do Orgulho LGBT. Em 1971, as cidades de Boston, Dallas, Milwaukee, Londres, Paris, Berlim Ocidental e Estocolmo somarem à luta que antes já existia, mas não tinha grande visibilidade.

A Parada LGBT de São Paulo
A Parada LGBT de São Paulo é realizada na Avenida Paulista desde 1997. Erroneamente chamada de Parada Gay, ela vem contemplando, a cada ano, mais diversidade e pluralidade sexual. Até 2017 a sigla usada foi LGBT, dando mais visibilidade às lésbicas e alinhando-se com a sigla que é usada em outros países do mundo. Em 2018, o slogan da Parada é “Poder pra LGBTI+”, incluindo pela primeira vez as pessoas Intersexo e o “+”, que abrange outras possibilidades de sexualidade que existem.
A cada ano, a Parada procura destacar, mesmo que seu enfoque seja os direitos LGBTs, um tema específico. Em 1997, primeiro ano do evento, o tema foi: Somos muitos, estamos em todas as profissões e recebeu cerca de 2 mil pessoas. Já em 2018 o tópico discutido foi: Poder para LGBTI+, Nosso Voto, Nossa Voz e contou com 3 milhões de pessoas, segundo a organização do evento.

Acontece no Unificado
Aqui no Unificado vivemos a pluralidade todos os dias. E por isso, convidamos os professores Patrícia Zanella, de redação e Ávila, de português para relatarem suas experiências e vivências.


A professora Patrícia fala da construção diária de respeito e equidade:
“No ano passado, eu me lembro de um questionamento que ocorreu numa aula minha no Colégio. Alguém me perguntou o que eu achava de uma psicóloga que tinha ganho o direito de atender pacientes que gostariam de “mudar” sua orientação sexual. Respondi que achava muito triste que alguém, de fato, pudesse querer mudar o que era. O mesmo menino me pergunta: “Mas uma pessoa não pode ter direito de querer não ser mais gay?”. Voltei a ressaltar, agora em tom de questionamento, por que alguém gostaria deixar de ser gay, afinal? Olhei para todos os alunos (quietos porque eles gostam de certas discussões e debates) e segui com a minha tese (acredito que de muitas outras pessoas): alguém querer mudar sua orientação é algo que tornaria apenas sua vida mais fácil; afinal, heterossexuais não são alvo de falatório por estarem caminhando de mãos dadas com seus parceiros, não recebem olhares de condenação, não têm muito receio de apresentar à família os seus namorados, não sofrem, enfim, discriminações de desconhecidos e, infelizmente, até de conhecidos/familiares. Contudo, mais do que isso, heterossexuais não correm o risco de violência física (além das psicológicas já citadas) porque estão dando um beijo em seus amados. Fiz uma série de outros relatos, conduzindo-os às muitas possibilidades de resposta, mas que levavam invariavelmente a um aspecto: se alguém quer deixar de ser gay, a raiz desse desejo está inevitavelmente ligada ao preconceito que uma pessoa LGBTI sofre diuturnamente. É muito mais fácil, nesse mundo retrógrado, asqueroso, preconceituoso, machista, ser heterossexual. Essa foi a triste conclusão a que chegamos juntos.
Mesmo que muitos ainda não concordem, é evidente que, por tudo isso e muito mais, não podemos deixar de discutir essas questões em muitos âmbitos da sociedade. Como professora de jovens e adolescentes (em sua maioria), não posso me abster de defender que não viemos ao mundo para julgar. Não precisamos estar na pele do outro para defender o direito de a pessoa ser como e aquilo que ela queira ser. O dia do Orgulho LGBTI representa uma luta histórica e, infelizmente, cotidiana de muitas pessoas no Brasil e em muitos outros países. Às vezes, essas lutas estão ao nosso alcance: na rua, em casa, na escola, dentro até da própria sala de aula, seja contra colegas, seja, inclusive, contra professores que insistem em não evoluir.
Num âmbito mais geral, ao passo que, em comunidade, conseguimos as pequenas vitórias de reconhecimento de nossas famílias como tal, com leis de amparo a casais homoafetivos, em várias partes do mundo, existem lutas contra os poucos direitos adquiridos, como ocorre na Rússia (onde o próprio ativismo é ilegal) e em Uganda (onde uma lei anti-homossexualidade está sendo imposta). Criminalizar qualquer forma de amor é um ato, em si mesmo, criminoso. Não se pode achar antinatural um sentimento tão sublime como o amor que deve ser, de fato, cego – porque ele não enxerga gênero, raça, cor, idade... “

O professor Ávila, por sua vez, enfatiza: fui o primeiro professor assumidamente gay a ser titular no Unificado, contratado em 2008.
“Não há dúvida de que nós, professores, temos total responsabilidade quanto às ideias que expomos, ainda que não sejam explícitas. Por essa razão, nunca ocultei a minha orientação sexual em sala de aula por acreditar que a força do exemplo é capaz de superar preconceitos e romper paradigmas. Embora entenda que não há espaço, durante a intensa rotina de aulas da preparação para o vestibular, para discussões tangentes aos conteúdos programáticos, insisto em praticar a melhor tática de convivência: o respeito. Hoje, sinto-me orgulhoso por fazer parte de um ambiente escolar acolhedor e de liberdade para a manifestação do amor igualitário. Ainda há muito para mudar, mas sei que estou cercado das melhores pessoas para essa luta: minhas alunas e alunos miguxos e corajosos. Aqui no Unificado, o amor venceu. Shantay, you stay!”


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