30 de Abril de 2018

O Dia Nacional da Mulher

Foi instituída, em 09 de junho de 1980, a lei nº 6.791, sancionada por João Figueiredo, que determinou o dia 30 de abril como o Dia Nacional da Mulher, tendo como objetivo estimular a integração das mulheres no processo de desenvolvimento do país. A escolha da data se deve ao aniversário de Jerônima Mesquita, enfermeira e fundadora dos maiores movimentos e entidades que lutaram pelos direitos das mulheres no Brasil do século XX.

Por acreditar na importância de que as mulheres assumam um papel mais atuante nas mudanças da sociedade brasileira, Jerônima fundou o Movimento Bandeirante em 1919. Ao oferecer aulas de primeiros socorros, enfermagem e puericultura, a instituição visava a integração da mulher em todas as áreas da comunidade da época. Em 1922, fez parte do grupo que instituiu a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), participando ativamente do movimento sufragista de 1932, em defesa do voto feminino às maiores de 18 anos – garantido posteriormente pela Constituição de 1934 promulgada por Getúlio Vargas. Criou, em 1947, o Conselho Nacional das Mulheres (CNMB), uma organização cultural, não governamental, que tem por objetivo a defesa da condição da mulher. Também foi uma das fundadoras do Pró-Matre, uma associação beneficente que visa, desde a sua formação, o auxílio de gestantes em condições de vulnerabilidade social.

O majoritário envolvimento de Jerônima com organizações voltadas à saúde tinha como motivo sua formação: enfermeira instruída na Europa, que logo após à eclosão da I Guerra Mundial, em 1914, serviu como voluntária na Cruz Vermelha da França e, posteriormente, na unidade da Suíça.


O Dia Internacional da Mulher

O estabelecimento do Dia Internacional da Mulher surgiu a partir de vários acontecimentos nos Estados Unidos e na Europa. No decorrer do século XIX e XX, mulheres, principalmente aquelas que trabalhavam em fábricas ou na indústria têxtil, se organizaram em protestos e greves que foram fortemente reprimidos pela polícia. Suas reivindicações passavam por melhores condições laborais, isonomia em relação aos direitos trabalhistas masculinos, menores jornadas de trabalho – que naquela época chegavam a 16 horas por dia -, fim do trabalho infantil, aumento salarial, direito ao voto, autonomia política e social, dentre tantas outras questões.

Apesar de, nos Estados Unidos, o dia 8 de março ser uma data simbólica para as mulheres e sua luta desde 1857, foi apenas em 1910, durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, ocorrida na Dinamarca, que a data foi oficialmente escolhida como um dia para a reflexão sobre os direitos das mulheres. O objetivo era honrar as lutas femininas e, assim, obter suporte para instituir o sufrágio universal em diversas nações. Em 1945 a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que firmava princípios de igualdade entre homens e mulheres. Nos anos 1960, o movimento feminista ganhou corpo, em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher e em 1977 o "8 de março" foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas.


Mas qual a Diferença entre o Dia Nacional da Mulher e o Dia Internacional da Mulher?

Diferentemente do que levou à criação do Dia Internacional da Mulher, no Brasil, não foi uma série de eventos que impulsionou a concepção desse dia. Após a morte de Jerônima Mesquita, cerca de 300 outras mulheres, também envolvidas no movimento feminista e do sufrágio universal, se mobilizaram para que sua luta fosse lembrada e celebrada. Dessa forma, os dois dias da mulher – tanto o internacional quanto o nacional – representam a constante lembrança da luta feminista em busca da isonomia e equidade entre os direitos dos homens e mulheres.

Pela grande visibilidade e movimentação que o Dia Internacional da Mulher apresenta, seu engajamento é também, proporcionalmente maior. Todavia, sua grandiosidade não anula a importância do Dia Nacional da Mulher no Brasil, que, por sua vez, é extremamente importante ao voltar-se especificamente à cultura machista do Brasil. É demasiado significativo nos recordar o tanto que já avançamos e o que ainda temos de perseguir em relação a equidade social na cultura brasileira.


A professora de Redação Patrícia Zanella comentou a existência do Dia Nacional da Mulher e registrou sua importância:

Representatividade é uma das questões mais relevantes a se discutir nos dias de hoje. Como mulher, vejo que essas datas têm uma importância fundamental porque remetem à luta dessa representatividade para todas nós. Se hoje temos direitos, foi porque grupos lutaram por eles, muitas vezes até transgredindo limites dados como certos. E, se essa é uma realidade a todas as pessoas em específicos momentos, é, certamente, importante para mulheres que os dias de luta de uma época de opressão sejam marcados no calendário. Infelizmente, o dia nacional não tem a devida repercussão, mas é, sem dúvida, de imensurável importância (e deveria ser para todas nós).


Acontece no Unificado

Aqui no Unificado a gente faz questão de discutir essas questões. A luta das mulheres, suas conquistas e direitos e o movimento feminista são temas recorrentes nas discussões realizadas em sala de aula. Fora dela o assunto já é cobrado em provas de vestibular. No ENEM, por exemplo, A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira já foi o tema de redação da 1ª aplicação de 2015.

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