Leituras Obrigatórias ULBRA – 2018-2

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04 de Junho de 2018

Leituras Obrigatórias ULBRA – 2018-2

10 DICAS SOBRE CADA OBRA por Vanderlei Vicente


DOM CASMURRO – MACHADO DE ASSIS

1. Obra associada à fase dita realista de Machado de Assis, que tem como característica fundamental a dimensão psicológica profunda na caracterização das personagens.

2. O ponto de vista do narrador é um dos elementos marcantes da obra, pois, sendo narrada em primeira pessoa, Bentinho tem todas as possibilidades de manipular o discurso a fim de convencer o leitor de que tinha razão na sua denúncia.

3. Vale a pena prestar atenção no fato de que os personagens centrais, Bento e Capitu, pertencerem a universos sociais distintos, na medida em que ele era rico e ela era filha de um funcionário público.

4. A figura de José Dias surge como uma representação de um tipo social marcado pelo interesse e pelo egoísmo, o agregado, espécie de parasita social que, de forma calculada, tenta obter vantagens pessoais.

5. A caracterização de Escobar como um homem de olhos fugitivos serve para reforçar a possibilidade de ele não ser um homem confiável.

6. A promessa feita pela mãe de Bento – enviar o filho à Igreja – termina por ser negociada com o aval dos religiosos: ela envia uma criança carente em seu lugar.

7. O fato de Bento perceber que a mãe de Sancha e Capitu são parecidas fisicamente reforça a possibilidade de que a suposta semelhança entre Escobar e Ezequiel fosse apenas fruto de sua imaginação.

8. Em diversos momentos, o narrador dirige-se diretamente ao leitor, numa atitude um tanto quanto inovadora na literatura do século XIX.

9. A caracterização dos olhos Capitu: (a) ressaca – representação da força do olhar; (b) cigana – alusão à falta de credibilidade da sua personagem.

10. O final do romance apresenta a solidão de Bentinho, homem que perdera a sua esposa – Capitu morre na Europa – e seu filho – Ezequiel morre numa expedição arqueológica em Jerusalém.


O CORTIÇO – ALUÍSIO AZEVEDO

1. O romance constitui-se como a principal obra naturalista brasileira, aquela que mais desenvolve as relações deterministas com o destino e/ou comportamento das personagens.

2. A obra apresenta a cidade do Rio de Janeiro em plena expansão, visto que os cortiços são procurados por aqueles que buscavam soluções baratas e próximas das áreas que se desenvolviam na cidade.

3. A animalização dos personagens e a caracterização patológica que muitos apresentam reforçam as teses naturalistas.

4. O cortiço apresenta dois momentos de construção: (a) de forma autônoma, como um organismo vivo; (b) de forma planejada, quando João Romão o reconstrói após um grande incêndio.

5. As personagens Rita Baiana e Bertoleza escolhem homens brancos e portugueses porque elas são movidas pelo determinismo biológico, na medida em que elas os viam como animais de raça superior.

6. João Romão se aproveita da escrava Bertoleza – principalmente após dar-lhe uma carta de alforria falsa –, mas, no final da obra, ironicamente, torna-se membro de uma sociedade abolicionista.

7. Jerônimo é o personagem que mais marcadamente sofre a influência do meio, pois o seu comportamento muda radicalmente a partir do momento em que ele passa a morar no cortiço.

8. Pombinha vive um intenso processo de degradação no transcorrer da história: de símbolo de pureza e ingenuidade à prostituição.

9. Miranda vive um casamento falido com Estela, mas, apesar de todo o desprezo que sentiam um pelo outro, eles mantêm uma rotina sexual intensa.

10. Rita Baiana é caracterizada como uma mulher sensual, uma espécie de símbolo da beleza tropical brasileira que termina por seduzir a figura do europeu.

O CONTINENTE – ERICO VERISSIMO

1. O título remete ao fato de a primeira parte de O tempo e o vento apresentar a caracterização das origens cultura gaúcha e da formação do Continente de São Pedro.

2. A obra envolve uma série de acontecimentos da História gaúcha e brasileira aliados a eventos fictícios.

3. O capítulo O sobrado é dividido em 7 partes e dividido ao longo da narrativa, rompendo, assim, com a cronologia rígida dos acontecimentos.

4. Em A fonte, a figura de Pedro – mais tarde Pedro Missioneiro – apresenta dons especiais: ele vê a figura de Nossa Senhora e a morte de Sepé durante a Guerra nas Missões.

5. Em Ana Terra, Ana Terra vive uma experiência de intensa violência: ela é estuprada por um grupo de castelhanos que saqueiam a propriedade e matam seu pai, Maneco, e um de seus irmãos, Antônio.

6. Em Um certo capitão Rodrigo, Rodrigo Cambará casa-se com Bibiana e abre um comércio com seu cunhado, Juvenal, mas, logo, passa a envolver-se com diferentes mulheres, como Honorina e Helga.

7. Em A Teiniaguá, a personagem Luzia é associada à lenda gaúcha da Teiniaguá por ser uma mulher capaz de enfeitiçar os homens de forma incontrolável.

8. Em A guerra, duas guerras acontecem paralelamente: (a) a Guerra do Paraguai, que serve de pano de fundo do capítulo; (b) a guerra no Sobrado entre Bibiana e Luzia.

9. Em Ismália Caré, Licurgo torna-se o chefe da família Terra Cambará, casa-se com Alice, mas mantém uma relação adúltera intensa com Ismália Caré.

10. Em O sobrado, a família Terra Cambará encontra-se cercada dentro do Sobrado devido a questões políticas relacionadas à Revolução Federalista.


MACUNAÍMA – MÁRIO DE ANDRADE

1. Obra fundamental do Modernismo de 22, momento marcado pela ruptura com os padrões estéticos tradicionais que imperavam na literatura brasileira.

2. O romance apresenta o subtítulo o herói sem nenhum caráter, que permite uma dupla leitura: (a) alusão à malandragem como elemento marcante na cultura brasileira; (b) alusão a um processo de construção de uma identidade brasileira.

3. Um dos elementos marcantes do texto é a presença de lendas de diferentes tradições – indígena, cabocla, sertaneja – que são apresentadas no decorrer da narrativa.

4. O fato de Macunaíma ser caracterizado de forma irreverente constitui-se como uma forma irônica de abordar o índio, símbolo da retidão de caráter no período romântico.

5. O ambiente no qual a história se desenrola remonta ao início do século XX, tento destaque a ida do personagem central para a cidade de São Paulo, berço do Modernismo de 22.

6. A história apresenta uma série de situações inverossímeis que envolvem, principalmente, a trajetória de Macunaíma.

7. Macunaíma é caracterizado como uma espécie de anti-herói, o que dá um toque irônico a sua construção, na medida em que ele é o herói de nossa gente.

8. Um dos momentos marcantes na obra é o capítulo Carta pras Icamiabas, espécie de sátira da carta de Caminha e escrito numa linguagem elevada, diferente do restante da obra.

9. A ida de Macunaíma para São Paulo acontece quando o personagem tenta retomar um amuleto que perdera e que parara nas mãos do gigante Venceslau Pietro-Pietra.

10. O desfecho da obra apresenta a figura de Macunaíma transformando-se na constelação Ursa Maior, após perder mais uma vez a muiraquitã.

DOIS IRMÃOS – MILTOM HATOUM

1. A obra apresenta um retrato da sociedade manauara, marcada pela imigração, no caso, libanesa e pela presença de agregados nas grandes famílias.

2. Halim é caracterizado como o típico imigrante estabelecido em solo brasileiro: começa na atividade de mascate e se estabelece mais tarde como forte comerciante.

3. O romance estabelece um paralelo entre a obra Esaú e Jacó, de Machado de Assis, pois, como este, apresenta a trajetória de gêmeos que têm comportamentos completamente diferentes.

4. Omar e Yaqub têm comportamentos distintos: o primeiro é festeiro, não gosta de estudar, mulherengo, protegido pela mãe; o segundo, introvertido, estudioso, compenetrado, é enviado para o Líbano por 5 anos para ficar longe do irmão.

5. Os gêmeos interessam-se pela mesma menina, Lívia, o que provoca uma briga quando eles eram adolescentes, mas ela termina por casar com Yaqub.

6. A trajetória de Domingas, mãe do narrador Nael, é marcada pela dependência, pois ela havia sido abandonada num orfanato e fora criada pelos pais dos gêmeos, Halim e Zana.

7. Domingas envolve-se sexualmente com os dois gêmeos – com Omar, foi forçada; com Yaqub, foi por sua vontade –, cria-se uma dúvida acerca de quem seria o verdadeiro pai de Nael.

8. Yaqub abandona Manaus e parte para São Paulo, onde vive uma ascensão intelectual e social, estudando na USP e formando-se em Engenharia.

9. Omar permanece em Manaus, interessado nas aventuras sexuais – com a Pau-Mulato, por exemplo – e na relação com um contrabandista chamado Wyckham.

10. Nael torna-se professor de matemática, com a ajuda de Yaqub, mas, no final da obra, distancia-se dos dois gêmeos e da família que criara sua mãe.


INOCÊNCIA – VISCONDE DE TAUNAY

1. O romance é escrito em pleno Romantismo brasileiro e mostra-se plenamente de acordo com o movimento no que se refere à caracterização da natureza e na construção da paixão idealizada entre os personagens Cirino e Inocência.

2. A obra integra uma vertente regionalista, inaugurada por José de Alencar, que tinha por objetivo apresentar as regiões mais inóspitas do Brasil.

3. O romance explora uma característica tipicamente romântica: a descrição da natureza brasileira como uma forma de valorização da pátria.

4. A obra gira em torno de um clichê romântico: a paixão proibida pela figura paterna, que havia prometida a mão da jovem a outro homem.

5. Cirino é caracterizado como um falso médico: ele possuía um livro de diagnósticos e atendia no interior do Brasil como médico.

6. O personagem Meyer é um alemão, naturalista: ele coletava insetos para levá-los para a Europa.

7. Inocência é caracterizada como uma heroína condizente com o movimento romântico: ela nega-se a aceitar Manecão por viver uma paixão incontrolável por Cirino.

8. Pereira, pai de Inocência, não aceita desfazer a promessa de dar a mão de sua filha a Manecão.

9. O final da obra apresenta um destino trágico dos protagonistas: (a) Cirino é morto por Manecão; Inocência, descobre-se, também havia morrido em circunstâncias obscuras.

10. O nome da heroína fora utilizado por Meyer para nomear uma nova borboleta: Papilio Innocentia.


MORTE E VIDA SEVERINA – JOÃO CABRAL DE MELO NETO

1. Os temas sociais ganham espaço na obra do autor a partir de 1950, com a publicação de O cão sem plumas.

2. O título da obra alude à vida severina, marcada pelo sofrimento e pela sensação de finitude, tão presentes na trajetória do sertanejo.

3. O subtítulo da obra, Auto de Natal pernambucano, aponta de forma mais precisa para a religiosidade presente no texto, tanto na forma auto, quanto na alusão ao nascimento de Cristo, o Natal.

4. A obra serviu de inspiração para o compositor Chico Buarque, que, em 1966, lança um álbum com diversas músicas baseadas em passagens da obra.

5. Severino é visto como uma espécie de símbolo do retirante nordestino, visto que a sua vida representa a trajetória típica do habitante daquele mundo.

6. O rio Capibaribe atua como um guia do retirante nordestino: basta seguir seu leito para chegar à cidade de Recife.

7. Severino abandona o sertão na tentativa de encontrar vida, mas em sua trajetória ele encontra mais miséria e mais desigualdade.

8. Ao chegar a Recife, Severino conhece Seu José, e, desiludido com a miséria encontrada, questiona-o se não valeria mais a pena saltar fora da ponte e da vida.

9. Seu José afirma que a vida que levava sempre fora comprada em retalhos, ou seja, sem nenhuma perspectiva além do momento presente.

10. O nascimento do filho de Seu José remete ao nascimento de Cristo: a esperança se renova num momento tomado de desilusão.


ANTES DE NASCER O MUNDO – MIA COUTO

1. A obra apresenta uma espécie de processo de degeneração da sociedade moçambicana, que perde sua inocência com o passar do tempo.

2. A presença de uma série de mitos populares, marca tradicional da literatura do autor, ganha destaque no romance.

3. A linguagem utilizada pelo autor atinge por inúmeras vezes uma forma poética de narrativa.

4. A família formada por Silvestre, seus filhos – Mwanito e Ntunzi –, o Tio Aproximado e o servo Zacaria muda-se para um lugar chamado Jerusalém – nome original da obra –, marcado pelas guerras e isolado em meio à savana moçambicana.

5. A obra é narrada por Mwanito, menino que perdeu a mãe e que mantém uma relação conturbada com o pai, além de não ver outro horizonte se não o da localidade em que reside.

6. A perda da matriarca Dordalma é um fator que traumatiza a todos, inclusive o patriarca Silvestre, que decide declarar o fim do mundo e se mudar para um lugar isolado.

7. Silvestre, desiludido com a sociedade moçambicana de seu tempo, tempo proteger os filhos, criando um mundo à parte.

8. Marta entra na história quando ela viaja de Lisboa para a Região a fim de encontrar seu marido, Marcelo, desaparecido durante a guerra.

9. Mwuanito vê a primeira mulher da sua vida, Marta, aos onze anos de idade, o que destrói o mundo que seu pai tentava inventar.

10. Apesar de ser o narrador da obra e de ter o gosto pela leitura, Mwanito é descrito pelo pai como um afinador de silêncios, pelo fato de gostar de falar.

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