Leituras Obrigatórias UPF – 2018-1 | Grupo Unificado

Leituras Obrigatórias UPF – 2018-2

Leituras Obrigatórias UPF – 2018-1 Leituras Obrigatórias UPF – 2018-1

02 de Junho de 2018

Leituras Obrigatórias UPF – 2018-2



10 DICAS SOBRE CADA OBRA por Vanderlei Vicente



NOITE DE MATAR UM HOMEM – SÉRGIO FARACO



1. O autor é considerado um dos maiores contistas do Rio Grande do Sul, tendo desenvolvido uma obra variada, pois ele retrata tanto o vazio do homem da cidade grande, como os elementos constitutivos da cultura fronteiriça gaúcha (tema central da presente antologia).

2. A linguagem utilizada em seus contos de fronteira apresenta algumas características marcantes, como a presença de termos em espanhol e regionalismos, seguindo uma tendência desenvolvida no início do século XX por Simões Lopes Neto.

3. O ambiente desenvolvido nos seus contos de fronteira dá uma atenção especial à presença da natureza, com a qual o homem mantém uma estreita identificação.

4. Um dos temas marcantes nos contos é o chibo, o contrabando, que serve como representação de uma importante prática econômica do universo fronteiriço.

5. Os contos apresentam um contraste peculiar: por mais que os contos apresentem um ambiente marcado pela brutalidade, a sensibilidade dos personagens ganha destaque na resolução das intrigas.

6. Em Hombre, o narrador volta da cidade ao mundo de sua origem, a fronteira, mas não parece mais ter a mesma hombridade que lhe caracterizara no passado. Isso fica nítido quando ele participa de um confronto contra um grupo de seguranças de uma estância e, diferentemente de Pacho, se esconde da troca de tiros. Ele se pergunta em que espécie de hombre se tornara, ele que no passado era chamado de Lôco.

7. Em O céu não é tão longe, Isidoro se entrega à sensual Maria Luiza, mas a relação é descoberta por seu pai, que manda três homens matá-lo. Ao ser morto, ele sente-se satisfeito: valeu a pena perder a vida pela mulher cheirosa que possuíra, a única que realmente queria receber o seu corpo – Isidoro alcançara o céu.

8. Em Travessia, o narrador, um menino, acompanha o tio Joca numa travessia da fronteira em busca de contrabando. Quando partem de volta para o lado brasileiro, o tio coloca entre os produtos um cesto com peixes, que termina por livrá-los da polícia, pois, ao serem abordados por uma lancha dos oficiais, o tio joga o contrabando na água e afirma que apenas pescava naquele local. No final, o narrador vê os olhos do tio brilhando, mas não seria choro, pois o tio, para ele, era um forte.

9. Em Noite de matar um homem, o narrador e um amigo, Pacho, são designados pelo tio Joca para matar um contrabandista concorrente que atraía a polícia para a região e que desviara uma carga de uísque da família. Matar um homem seria uma espécie de ritual de entrada no mundo adulto, mas, quando os meninos cumprem a tarefa, eles sentem-se mal. Ou, nas palavras do narrador, sujo e envelhecido, sentimento que o tio Joca estava podre de saber.

10. Os contos Travessia e Noite de matar um homem apresentam uma ligação de personagens: o narrador parece ser o mesmo, em diferentes idades, mais novo no primeiro e iniciando a fase adulta no segundo; e tio Joca, contrabandista que tem a liderança da sua família na prática do chibo. O mesmo se percebe na relação entre os contos Noite de matar um homem e Hombre, na medida em que o personagem Pacho parece viver duas etapas da vida: a transição juventude-homem no primeiro; o homem calejado pela rotina gaudéria no segundo.



AS MENINAS – LYGIA FAGUNDES TELLES



1. A autora é um dos principais nomes femininos da literatura brasileira do século XX, tendo escrito uma série de contos e romances que já se tornaram clássicos das nossas letras.

2. O ambiente no qual a história se desenvolve é marcado pela ditadura militar, uma possível ameaça no cotidiano das protagonistas.

3. O título do livro faz alusão às protagonistas da história, Lorena, Ana Clara e Lia, que se intercalam na narração da obra, mostrando diferentes anseios e utilizando até mesmo de diferentes formas de linguagem.

4. As meninas mantêm uma relação de amizade, apesar de elas pertencerem a diferentes classes sociais: Lorena é de família abastada; Lia é de origem humilde da Bahia; e Ana Clara é fruto de uma família desestruturada, não sabendo, por exemplo, quem era seu pai.

5. As meninas habitam o mesmo espaço, um pensionato de freiras em São Paulo, onde se encontram irmãs com vidas um tanto quanto corrompidas (envolvimento político, relações amorosas entre elas, denúncias deste tipo de comportamento).

6. As meninas apresentam interesses distintos entre elas: Lorena preocupa-se em ajudar as outras tanto com dinheiro, quanto com apoio moral; Lia envolve-se com militância de esquerda e sonha numa mudança de ordem social; e Ana Clara tem o sonho de ascensão social através do casamento com um homem de posses.

7. As relações amorosas vividas pelas meninas apresentam elementos trágicos: Lorena gosta de MN, homem casado, mas que não parece ser capaz de largar a família e nem mesmo telefonar para a jovem; Lorena tem seu amado Miguel preso em função de seu envolvimento com a esquerda; e Ana Clara afirma ter um noivo, o escamoso – que pode ser fruto de sua imaginação –, embora seja apaixonada por Max.

8. Além das meninas, as mães de Lorena e Ana Clara vivem relações amorosas traumáticas: a primeira é explorada por Mieux, jovem que se aproveita da inocência da mãe de Lorena para tirar-lhe dinheiro; a segunda envolvera-se com uma série de homens violentos e brutos.

9. As meninas são estudantes de graduação de diferentes áreas e mantêm diferente níveis de envolvimento com os estudos: Lorena é uma dedicada estudante de Direito; Lia cursa Ciências Sociais sem muita dedicação por causa de suas lutas sociais; e Ana Clara havia trancado o seu curso.

10. As meninas encontram diferentes destinos: Lorena volta para a casa da mãe, que sofre por ter sido abandonada por seu jovem amante; Lia parte para o exterior, onde supostamente encontraria Miguel; e Ana Clara morre em decorrência do uso abusivo de drogas.



LUCÍOLA – JOSÉ DE ALENCAR



1. O romance apresenta uma série de elementos característicos da literatura romântica, principalmente a idealização das relações e do caráter dos personagens.

2. O título da obra faz alusão a um vagalume que vive em regiões alagadas, que serve de metáfora da condição da protagonista: apesar de viver na lama (prostituição), a personagem é repleta de luz.

3. O romance é constituído por cartas que Paulo envia à senhora GM a fim de provar que nem todas as prostitutas possuíam a maldade como elemento central de suas vidas, como dissera essa mulher numa festa.

4. Paulo é um advogado de Pernambuco que vai para o Rio de Janeiro a fim de constituir carreira e é apresentado a Lúcia em meio à Festa da Glória, quando ela distribuía esmolas aos pobres.

5. Sá, amigo de Paulo, representa o olhar preconceituoso da sociedade daquele tempo, pois ele recrimina a relação que o outro estabelece com a prostituta.

6. Lúcia, durante uma festa oferecida na casa de Sá, é comparada por um dos presentes a uma figura satânica, sensual, como se percebe na relação que é feita após ela executar uma dança erótica: Lúcia – Lúcifer.

7. Lúcia é descrita como uma personagem cheia de moral: ela ajudava as pessoas dando-lhes dinheiro, orgulhava-se de nunca ter destruído nenhuma família e tinha na Bíblia uma de suas leituras favoritas.

8. Lúcia vive um processo de purificação no decorrer da obra ao mudar seu comportamento: ela deixa de frequentar a sociedade, deixa de transar com Paulo e passa a vestir-se de forma recatada.

9. Lúcia revela seu passado a Paulo: tornara-se prostituta para ajudar a família, vitimada pela febre amarela; vendera sua virgindade a um vizinho, Couto, que, mais tarde, tenta em vão tornar-se seu amante; fora desprezada pelo pai, após ele descobrir que ela se prostituía; seu verdadeiro nome era Maria da Glória.

10. No final da obra, Lúcia/Maria da Glória aborta espontaneamente um filho de Paulo, o que termina por lhe provocar a sua morte, uma solução moralista do autor.



LIBERTINAGEM – MANUEL BANDEIRA



1. O autor é um dos principais nomes da poesia moderna brasileira, tendo desenvolvido uma obra em que a melancolia, a coloquialidade da linguagem e a liberdade estrutural ganham destaque.

2. Libertinagem, ao lado de Ritmo dissoluto, é uma das principais obras do autor enquanto engajado no projeto revolucionário proposto pela primeira fase do Modernismo brasileiro, o chamado Modernismo de 22.

3. Os poemas que compõem a obra apresentam um contraste marcante: por mais que sejam escritos com uma certa simplicidade, desenvolvem intensos dramas e/ou questionamentos existenciais do eu-lírico.

4. Em Teresa (poema que faz alusão a O adeus de Teresa, de Castro Alves), o eu-lírico apaixona-se por Teresa, apesar de ele salientar a sua falta de beleza estética (pernas estúpidas, cara que parecia uma perna, olhos mais velhos que o corpo).

5. Em Pneumotórax, o eu-lírico aponta para uma série de situações cotidianas na rotina de um tuberculoso (febre, hemoptise, dispneia).

6. Em Poética, o eu-lírico salienta uma série de elementos que deveriam ser marcantes na construção da poética: a ruptura com a poesia burocrática e a incorporação da liberdade como base da sua lírica.

7. Em Vou-me embora pra Pasárgada, o eu-lírico cria um mundo no qual ele poderia viver plenamente tudo o que a tuberculose não permitiu que o poeta experimentasse na vida real.

8. Em Porquinho-da-Índia, o eu-lírico recupera uma imagem da infância, o porquinho-da-Índia, que foge das tentativas de carinho que ele tenta lhe dar, constituindo-se, assim, na sua primeira namorada.

9. Em Poema retirado de uma notícia de jornal, o eu-lírico descreve o destino de João Gostoso: após tentativas vãs de encontrar alguma felicidade em sua existência (beber, cantar, dançar), ele joga-se na lagoa Rodrigo de Freitas.

10. Em Evocação do Recife, o eu-lírico canta não a cidade gloriosa e de História marcante, mas, sim, a cidade da sua infância, da sua memória afetiva e individual.



A EDUCAÇÃO PELA PEDRA – JOÃO CABRAL



1. A obra apresenta uma estrutura rígida: 48 poemas de duas estrofes divididos em 4 partes com 12 textos cada; as duas primeiras apresentam poemas com 16 versos; as duas últimas, com 24 versos.

2. Os poemas que compõem as partes nordeste (primeira) e NORDESTE (terceira) tratam basicamente de elementos relacionados ao mundo nordestino, como a seca, a presença do rio, o canavial, o sertanejo.

3. Os poemas que compõem as partes não nordeste (segunda) e NÃO NORDESTE (quarta) exploram temas como a metapoesia, os questionamentos existenciais, a cultura espanhola, o contraste mundo desenvolvido versus interior.

4. Em O sertanejo falando, o eu-lírico expõe sua visão acerca da forma do sertanejo falar: sua doçura mascara um processo de transformação de palavras-pedras em palavras-confeito. Daí, ele falar pouco, pois todo o processo exige um árduo processo.

5. Em A educação pela pedra, o eu-lírico expõe duas educações pela pedra: de fora para dentro, ao frequentar a pedra para apreender sua lógica; de dentro para fora, a partir da pedra que entranha a alma.

6. Em Sobre o sentar-/estar-no-mundo, o eu-lírico apresenta duas formas antagônicas de existência: alguns vivem como numa poltrona - tábua de latrina, pois por mais que estejam em situações difíceis, sentem-se confortáveis; outros, como se estivessem em bancos de colégio - sobre pregos, por mais que vivam em situações favoráveis.

7. Em Tecendo a manhã, o eu-lírico cria uma doce metáfora acerca da aurora, construindo uma cena na qual ela é constituída a partir do cruzamento do canto de diversos galos.

8. Em Catar feijão, o eu-lírico associa a criação poética ao ato de catar feijão, comparando a atenção na escolha dos grãos do alimento à atenção que deve ser dada à escolha de palavras.

9. Em Rios sem discurso, o eu-lírico compara a seca do rio a interrupção do discurso de um ser vivo que é impedido de manter o seu discurso estável.

10. Em Comendadores jantando, o eu-lírico apresenta uma cena na qual um grupo se delicia com um jantar, aparentemente longe dos problemas concretos da vida normal e mais preocupados com a questão prato que o jantar lhes apresenta.



A HORA DA ESTRELA – CLARICE LISPECTOR



1. A autora é vista como o principal nome da literatura introspectiva brasileira, na qual a ação volta-se mais para o nível psicológico/existencial do que para acontecimentos concretos.

2. A autora listou uma série de títulos alternativos que, de alguma forma, se relacionam com os acontecimentos e/ou com a existência da protagonista.

3. A obra apresenta um elemento social, na medida em que ela expõe as precárias condições de vida que Macabéa, nordestina, leva em sua frágil existência na cidade grande.

4. Rodrigo Costa, o narrador que dá direito ao grito à protagonista, em diversos momentos discute o processo de criação literária – processo tão duro quanto quebrar pedras – e afirma que esta obra – diferente de seus hábitos – teria um início, meio e um gran finale.

5. O narrador caracteriza a existência de Macabéa como uma moça que vivia de forma rala, sem questionar quem ela era, pois, se o fizesse, cairia estatelada no chão.

6. Macabéa trabalhava como datilógrafa numa empresa de roldanas e vivia com quatro Marias perto do caís e da zona de prostituição.

7. Olímpico de Jesus é nordestino, trabalha numa metalúrgica, transferindo chapas de uma esteira a outra; se vê como um cabra safado e troca Macabéa por Glória por ver nesta um material de boa qualidade: ela era carioca da gema, oxigenava os cabelos em amarelo-ovo e era roliça.

8. Glória, colega de Macabéa, afirma a esta que só aceitara ficar com Olímpico porque uma cartomante assim indicara.

9. Madame Carlota, a cartomante, expõe a Macabéa o quão medíocre é a sua vida, o que faz com que a protagonista passe a ver sua existência como algo insuportável.

10. Ao sair da cartomante, Macabéa sente-se grávida de futuro devido às previsões que Carlota fizera, mas termina por morrer ao ser atropelada por um Mercedes Benz amarelo.

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