Redação da UFRGS x Redação do ENEM

Redação da UFRGS x Redação do ENEM Redação da UFRGS x Redação do ENEM

18 de Dezembro de 2018

Ambas as provas exigem na sua redação a produção de um texto dissertativo. Essa tipologia, aliás, é a mais comumente cobrada em provas de vestibulares e concursos. Se a estrutura, contudo, é a mesma a ser aplicada às duas provas, é importante salientar as diferenças entre elas para, agora, mudar a abordagem àquilo que a banca de avaliação da UFRGS valoriza.

Linhas
A redação no ENEM pode ter no mínimo 8 linhas e 30 no máximo. Já na UFRGS, o texto deve ter de 30 a 50 linhas (lembrete: textos com até 29 linhas são automaticamente zerados). O que isso acarreta na prática? Na prática, é possível aprofundar mais a discussão do tema.

Título
O que no ENEM era opcional – pôr título na redação – na UFRGS, é obrigatório. Existe, na folha oficial, um espaço próprio para ele, que não será contado como linha escrita da redação. Na prática? O título é mais um aspecto formal importante que pode (e deve) ser usado a favor do candidato, pois é mais uma opção de ser criativo e autoral. Títulos elaborados, relacionados com a discussão apresentada no texto e originais são sempre bem valorizados.

Avaliação Gramatical
Uma redação é sempre avaliada pela estrutura da tipologia exigida, pelo conteúdo e pela correção gramatical. Cada banca atribui maior ou menor peso aos quesitos (dividindo-os normalmente em tópicos). No ENEM, a avaliação do texto todo é feita por cinco Competências, todas valendo 200 pontos. Como a correção gramatical é apenas um deles, seu valor passa a ser 20% do total da nota. Entretanto, em uma das avaliações na UFRGS, esse critério vale 50%. Qual a consequência? É preciso, em qualquer redação, ter o cuidado com a gramática. Fato. Porém, se na UFRGS, o peso é maior, é preciso redobrar esse cuidado antes de passar a limpo. A revisão do rascunho tem de ser bem criteriosa.

Temática
Esse talvez seja uma das principais diferenças entre essas duas provas. Os temas cobrados em todas as edições do ENEM sempre foram bastante objetivos, abordando questões sociais, culturais, científicas ou políticas: são questionamentos sobre a lei seca, a persistência da violência contra a mulher, intolerância religiosa, manipulação do comportamento do internauta, entre outros. Além disso, para esses temas, a banca ainda pede que se faça uma proposta de intervenção, tendo em vista que são problemáticas que devem ser resolvidas, ou mesmo sanadas. A UFRGS, entretanto, já fez de tudo um pouco. A tendência mais comum dessa prova é a temática subjetiva, abstrata, filosófica, comportamental e conceitual. São temas como o papel e os limites do humor, o livro que você considera o seu clássico, o conceito de amizade, em 2015, e o de ter estilo, em 2017. Podem ser assuntos que exijam uma abordagem exclusivamente em primeira pessoa, como foi o do clássico. No vestibular de janeiro de 2018, a proposta era concordar com a opinião da cronista Martha Medeiros (ou discordar dela) em relação à situação de “orfandade” do Brasil, além, também, da possibilidade de ficar “em cima do muro” e concordar parcialmente ou discordar parcialmente. Na prática, é preciso atentar aos comandos para obedecer ao que se pede e, na medida do possível, um tema desses se torna bastante concreto com análises a partir de exemplos, fatos, situações.

Este post foi elaborado pela professora de redação do Unificado Patrícia Zanella.

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