O professor Carlos Alberto Pacheco Fontoura, fundador e atual presidente do Grupo Unificado, recebeu a honraria maior de Porto Alegre: o título de cidadão emérito da cidade.

Publicado em 23 de maio de 2016 Unificado Z

O professor Carlos Alberto Pacheco Fontoura, fundador e atual presidente do Grupo Unificado, recebeu a honraria maior de Porto Alegre: o título de cidadão emérito da cidade. A homenagem foi proposta pelo vereador Márcio Bins Ely, do PDT, e o Prêmio foi concedido no dia 10 de maio de 2016, no plenário Otávio Rocha, da Câmara Municipal de Porto Alegre. 

Na ocasião, o vereador proponente discursou: 

"Na noite de hoje, queremos prestar um reconhecimento ao homenagear um professor em um momento de dificuldade, onde o governo não consegue pagar nem o piso mínimo dos professores. Sabemos a importância da presença de um professor para educar e ajudar a libertar um povo. A Terra é um campo de luta e só vencerão os persistentes e determinados. Quantos cidadãos devem ao curso Unificado a sua aprovação no vestibular? Vejo aqui alguns professores que nos ensinavam brincando, além dos programas de alfabetização de idosos e dos trabalhos sociais que a instituição promove e desenvolve, mensalmente, com o trabalho das campanhas de arrecadação de alimentos, através da ONG “Unificado Sempre Amigo. 

O professor Fontoura, por sua vez, confessou que não sabia exatamente o que palestrar na cerimônia, mas que ao ouvir o vereador Márcio Bins Ely falar de sua trajetória na educação, teve um insight e, muito emocionado, resolveu fazer um elogio à vida:

“Eu só quero agradecer aqui à vida! Agradecer à vida por permitir que um morador da vila de seus saudosos pais humildes chegasse a ter uma vida digna. Agradecer à vida por ter me dado dois filhos fantásticos e três netinhos. Por ter me dado irmãos fantásticos. À vida por me permitir fazer parte da Confraria do Morro, onde fiz grandes amigos para a vida inteira. Quero agradecer por ter escolhido ser professor. Não interessa em qual atividade nos formamos ou qual trabalho vamos exercer, sempre existe um professor envolvido em nossa educação. É difícil ser professor, somos muito pouco valorizados nesta pátria educadora. Eu espero que um dia, ainda, os nossos governantes consigam enxergar que o único caminho para o crescimento da nação é investir em educação. Espero que, em um futuro próximo, a gente ainda possa voltar a sonhar”, defendeu Fontoura emocionado.

Nós, da equipe Unificado, fomos conversar com o professor Fontoura sobre esse maravilhoso evento e, principalmente, sobre essa vida que ele tanto elogiou e agradeceu.

Questionado sobre como foi receber o prêmio, Fontoura se emociona: 

- Eu resolvi falar da vida, fazer um elogio à vida, que eu tive e tenho... Tive que me segurar um pouquinho para falar, pois me emociono ao falar dessas coisas, dos meus pais. Fui muito pobre, meu pai um humilde motorista de táxi, e minha mãe dona de casa, minha casa de infância era uma casa de chão batido, na antiga Rua Larga... Vivíamos com muito pouco dinheiro...

Fontoura relacionou a honraria à sua vida e sua trajetória: 

- Por que eu ganhei o prêmio? Eu ganhei o prêmio por uma vida inteira exclusivamente dedicada à educação, e por isso devo ele a meus alunos, ex-alunos, meus colegas, meus professores - afirmou. 

Vamos conhecer um pouco mais desse professor que já lecionou para mais de 300 mil alunos!

O professor começou a dar aula em 1967, 1968, ainda em São Gabriel, no Colégio XV de Novembro. Trabalhou em vários âmbitos educacionais, com alunos de diferentes níveis e formação. Deu aula em colégios públicos, como a Escola Carlos Chagas, o Dom João Becker, o Emílio Meyer, o Parobé e o famoso Julinho. Também trabalhou em escolas privadas de renome da cidade, tais como Anchieta, Rosário, Concórdia e Dores. Também atual em âmbito universitário, quando lecionou na PUCRS. Inaugurou projetos brilhantes e diferenciados, como o supletivo da Brigada Militar, e depois, ajudou a criar uma escola de altíssima qualidade, o Colégio Tiradentes. Posteriormente, entrou no pré-vestibular, tendo trabalhado no antigo Mauá, donde saiu em 1977 para a criação do Unificado, junto a seus sócios. 

O professor se empolga ao falar da fundação do Unificado há 39 anos atrás: 

- Abrir o Unificado foi uma aventura. Nós éramos muito jovens, o mais velho era o Marcão, que tinha 31 anos.

No Unificado, ajudou a criar também o EJA (Educação de Jovens e Adultos), o Colégio Unificado, as franquias. E depois veio mais uma grande contribuição à educação: o Colégio Leonardo da Vinci. A ideia do Leonardo da Vinci era oferecer uma escola de qualidade e alto desempenho. 

- Fizemos uma pesquisa, e terminamos descobrindo que os pais queriam duas coisas para os filhos: conhecimento e disciplina. A disciplina, ela é importantíssima para o bom aprendizado. A ideia do Colégio Leonardo da Vinci é a de que o centro dela é o professor. O professor é soberano para promover o conhecimento junto ao aluno. 

Questionado sobre as dificuldades relacionadas à disciplina nas escolas hoje em dia, o professor Fontoura alertou: 

- O aluno faz exatamente aquilo que o professor permite fazer. 

Logo, partimos para o diferencial das aulas do pré-vestibular, e o professor contou sobre a dificuldade de dar aula para 200 alunos (ou até mais):

- O pré-vestibular não é fácil... Manter a atenção de um jovem por 45 minutos, numa sala lotada desse jeito...

Falamos muito sobre a importância da educação e do ensino para um país. Segundo Fontoura, no Brasil, a educação nunca teve incentivos, e por isso o nível da educação não necessariamente sobe. E afirmou: 

- Nenhum país cresce sem educação. O professor é a maior de todas as profissões. Basta olhar nos grandes países que se desenvolveram, como os Tigres Asiáticos, a China, etc. Eles valorizaram o professor. E o professor não é valorizado no Brasil. Vejam a escola pública. A escola pública, parece, decaiu muito, antigamente era muito boa. Eu estudei no Otávio Rocha (primário), no Inácio Montanha (ginásio) e no Julinho (científico) e foi uma maravilhosa formação.

O professor Fontoura mantém todo seu vigor para pensar e pesquisar a educação. Recentemente, chegou a prestar concurso para professor do ensino público em 2014, somente para saber como anda o processo. Sempre inovador, o professor não inovou somente quando fundou o Unificado e o Colégio Leonardo da Vinci, mas em projetos específicos no seu cotidiano. 

- No Unificado, criamos o famoso Projeto Cultural, que sempre contou com a presença de artistas, intelectuais e políticos de todas as correntes e opiniões. 

E Fontoura ainda comenta: 

- Inclusive deu acesso a políticos e intelectuais de esquerda de falarem durante o Regime Militar - o que nos fez receber certa vez uma visita do DOPS. 

Toda essa vontade mantém o professor em sala há mais de 40 anos. 

Fontoura ainda leciona, afirma adorar dar aula e ainda arremata, com humor: 

- E continuarei dando aula, enquanto os alunos me aguentarem...

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