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Ex-aluno do Leonardo da Vinci conquista o 1º lugar na prova do Enem no RS e a nota máxima na redação.

29.07.2010

Leitores vorazes, os dois primeiros colocados tiraram nota máxima na redação

Os três primeiros colocados do Estado no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2009 não têm apenas a dedicação aos estudos em comum. Todos eram vestibulandos de Medicina no ano passado e conquistaram suas vagas em universidades públicas este ano – dois na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e outro na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Leitores vorazes, os dois primeiros colocados tiraram nota máxima na redação, e o terceiro ficou com 9,5.

São dois porto-alegrenses e um piauiense. Cada um com seu esquema tático para ingressar no Ensino Superior. Dois deles estudaram em colégios militares, mas os três viveram o ano de 2009 em regime de Exército. O quartel-general dos meninos foi o quarto de suas casas. Lá, traçaram uma rotina de estudos e muita disciplina. Sem um período de regras, não teriam perseverado, avaliam. Com idades entre 19 e 23 anos, acreditam que a dedicação para o vestibular e o conhecimento do funcionamento da prova do Enem foram cruciais para o resultado.

Uso do Enem por mais instituições é um estímulo

Para não esmorecer diante das tentações do cotidiano, muito carinho e compreensão da família foram decisivos para o trio. Rafael de Sousa Batista, 23 anos, aconselha também firmeza com as metas.

– Você tem de traçar metas, ter um objetivo e ir atrás dele. Não dá para desistir. É um trabalho de concentração diário.

Mais flexível, Matheus Vernet Machado Bressan Wilke, 19 anos, de Porto Alegre, optou por concentrar os estudos de segunda a sexta-feira. Os finais de semana tinham um horário mais livre. Adepto da ideia de que relaxar faz parte do processo de conhecimento, sempre achou uma brecha para um cineminha ou uma janta com os amigos vez ou outra.

O campeão, Fernando Maia Dalcin, 20 anos, morador do bairro Cristal, na Capital, foi estreante no Enem e conta que, para ele, a prova ganhou mais importância quando soube que seria decisiva para ingressar na universidade.

– As instituições estão usando cada vez mais o Enem como critério de seleção e isso faz com que o exame ganhe uma maior importância. Acabei fazendo alguns simulados dos anos anteriores e entendendo como funciona o exame, que tem caráter político e que questões ligadas ao governo poderiam estar presentes – resume.

Eles não estão entre os 10 primeiros colocados do ranking brasileiro de 2,5 milhões de pessoas que fizeram a prova, mas chegaram perto dos mil pontos possíveis. Confira as dicas de sucesso dos campeões e saiba como ir bem na próxima edição marcada para os dias 6 e 7 de novembro. As inscrições já estão encerradas.

1º lugar venceu o cansaço
Foi em clima de descrença que Fernando Maia Dalcin, 20 anos, fez a prova do Enem. Contrário as posições ideológicas do programa do Ministério da Educação (MEC), Fernando estudou para o exame porque sonhava em cursar Medicina na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e acabou sendo o campeão do RS.

Com a média 851,24 e nota máxima na redação, Fernando garantiu o sexto lugar na tão desejada universidade e terceiro na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pensou melhor e acabou optando pela segunda.

Natural de Porto Alegre, ele estudou desde a segunda série do Ensino Fundamental no Colégio Leonardo da Vinci, onde concluiu o Ensino Médio em 2007. Se durante todo o período escolar levou os estudos na flauta, no ano passado decidiu investir pesado para recuperar o tempo perdido:

– Estava sempre revisando tudo para manter a matéria em dia. Estudava umas 10 horas diárias.

Tanta dedicação teve uma pausa em outubro, quando conheceu, no cursinho, a atual namorada. O romance não prejudicou em nada o seu desempenho.

– Foi bom eu dar uma parada no final do ano. Eu estava muito fixado nos livros, reservava, no máximo, um dia do mês para me distrair. Todo mundo sabe que, para o Enem e para o vestibular, o ideal é estar calmo – ensina.

Agora, após cursar um semestre de Medicina, Fernando diz ter plena certeza de que estava certo da escolha profissional que fez aos 14 anos. Tanto esforço e foco valeram a pena.

2º lugar veio do Piauí
O estudante de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Rafael de Sousa Batista, ficou um ano dos seus 23 sem colocar o nariz para fora do quarto durante tardes e noites. Em 2009, passava as manhãs em curso pré-vestibular e o resto do dia em casa sobre os livros. Livre mesmo, só alguns domingos.

Desde pequeno, em Teresina, no Piauí, onde nasceu e viveu até os 13 anos, Rafael sempre gostou de estudar, mas foi no segundo ano do Ensino Médio, em um Colégio Militar do Recife (PE), que passou a se dedicar mais.

Filho de militar, sua vinda para o Estado ocorreu em 2006, com a família, quando decidiu a cursar Arquitetura na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Ficou lá por um ano. Após garantir a vaga de Medicina, mudou-se para Porto Alegre em 2010.

Tímido, prefere não comemorar sua posição no ranking do Enem:

– É bom saber que o esforço valeu, mas não adianta se achar muito bom.

3º lugar, um esforçado
Obstinado por ser médico e esforçado por natureza, Matheus Vernet Machado Bressan Wilke, 19 anos, conquistou a terceira posição no ranking do Enem no RS e de quebra uma vaga na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

– Não faço o tipo de estudante cabeção. Estudei muito, sou é esforçado.

Fez o Ensino Médio no Colégio Tiradentes, da Brigada Militar, em Porto Alegre, e no final do ano letivo, o primeiro Enem. O segundo, no ano passado, foi que o colocou entre os três melhores do RS no exame. Amante do cinema e apaixonado por horas de bate-papo com os amigos, Matheus nunca abriu mão do lazer. Durante o último ano de estudo, todo o sábado à tarde e o domingo eram de folga.

Para ele, o segredo para se dar bem no Enem é o cálculo do tempo. Para não correr o risco de se passar no horário, levou dois relógios, um analógico e outro digital. Foi o último a entregar a prova. Conseguindo manter a média de leitura de um livro e meio por mês, Matheus tirou 9,5 na redação.

Fonte: Zero Hora


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